2:05:42 PM



Eu acordo cedo...




E é tão cedo que posso olhar pela janela e ver os postes de luz se apagando com o amanhecer do dia.

Eu acordo cedo, e posso sentir no ar gelado da manhã o cheiro do ontem que vai indo embora com o hoje que chega.

Tão cedo que eu me espanto com o mesmo carro que todo dia antes das 6 da manhã passa avoado pela pista com uma pressa absurda... Penso: "Nem são 6 horas, e esse homem já tá com pressa?!".

E é muito cedo, porque eu ando e vejo que nem os mendigos que dormem pelo caminho acordaram... Quando saio de casa, acho que tenho o privilégio de ser o primeiro a pisar na rua.

Eu acordo tão cedo, que só coloco os óculos escuros dentro do ônibus... Se colocar antes, não enxergo que é o meu ônibus que tá passando pelo ponto.

Eu acordo muito cedo... Reclamo, xingo, me irrito, mas, no decorrer do dia eu posso ficar feliz de ver o sol nascer e acompanhar todo o processo que ele passa para se esconder...

E é bem cedo, porque os perfumes das pessoas que entram no ônibus ainda estão frescos, acabaram de ser borrifados no corpo (principalmente o da menina que usa o 212 MEN da Carolina Herrera).

Eu acordo cedo e isso mistura a minha cabeça... Acho que é porque eu fico muito tempo com ela funcionando!

Acordo bem cedo e sinto o peso disso quando acordo cedo de novo, afinal, eu vejo que tudo o que dormi não é suficiente pra arrumar tudo na cabeça outra vez...

E nisso, é como se fosse aquele velho clichê da bola de neve, tudo vai aumentando, aumentando, aumentando e congelando no juízo. Gosto desse paradoxo de amar acordar tarde, dormir bastante, mas, ter que acordar antes das galinhas... É a vida que levo, a que eu preciso levar até poder dormir plenamente o sono dos justos.

Acordar tarde é para os fracos, e eu sou um fraco que acorda cedo...




Justin Timberlake - (Another Song) All Over Again




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11:26:07 PM



"eu tive um sonho... vou te contar:"



Não, eu não me jogava do 8° andar! Eu só sonhei que caminhava, só. Caminhava e não olhava para trás de forma alguma, só queria chegar a algum lugar que não era o qual eu estava. Era um dia de sol entre nuvens (assim mesmo como falam na previsão do tempo na TV), onde eu me permiti a fazer a fusão de óculos escuros de lentes degradê com casaco de gola alta, afinal, apesar do sol eu não estava em Salvador, caminhava em Londres. Eram passos firmes, era um olhar fixo em um ponto certo, e, a música que saia dos fones de ouvido me fazia estalar os dedos tendo como conseqüência olhares de diversas pessoas... Como eram diversas pessoas, eram diversos olhares: risonhos, indiferentes, de identificação, de incomodo e principalmente de carinho! É... acho que tinham pessoas que queria que eu chegasse aonde eu queria.

No final de tudo, sei que caminhei uns 4 dias, sei lá! Não tinha noite, não derramei uma gota de suor, e não me cansei. Também não parei pra beber água, não reclamei que tava demorando de chegar, não olhei para o relógio, nem tampouco liguei pra ninguém para avisar que tinha saído ou que tinha chegado bem... Eu cheguei, mas, não sei onde! Quem sabe um dia eu ache a placa com um “Bem-vindo a ‘tal lugar’!”?! Só sei que aqui é lindo, tem wi-fi banda larga, música boa e gente maravilhosa! Hummmm... Acabaram de me dizer, o nome daqui é FELICIDADE.




Mariana Aydar - Peixes




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